Documento com os princípios do Programa Cultura Viva apresentados na Plenária Nacional dos Pontos de Cultura.
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Marcos Eduardo Ferreira Marinho no dia 04/09/2007 às 18:54
Por uma falha no registro deste texto , a parte final acabou não saindo, porisso foi postada uma versão em anexo no tópico Princípios do programa Cultura Viva 2.
Marcos Marinho - Instituto Paulo Freire.
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Marcos Eduardo Ferreira Marinho no dia 04/09/2007 às 19:48
Princípios do Programa Cultura Viva
Subsídio para trabalho em grupo
O Programa Cultura Viva é concebido como uma rede orgânica de criação e gestão cultural, mediado pelos Pontos de Cultura. A implantação do programa prevê um processo contínuo e dinâmico e seu desenvolvimento é semelhante ao de um organismo vivo, que se articula com ações culturais pré-existentes.
O Cultura Viva é uma rede horizontal de articulação, recepção e disseminação de iniciativas culturais inovadoras e o Ponto de Cultura é a ponta dessa rede, um organizador da cultura em nível local, um centro de referência para novas conexões em rede. Enquanto o Cultura Viva pode ser identificado como uma macro-rede, o Ponto de Cultura pode ser definido como uma micro-rede. A capacidade para buscar micro-soluções a partir da construção de redes locais e a disposição para se conectar em rede, foi um dos critérios para a escolha dos Pontos de Cultura e pode dar materialidade à expressão “pense globalmente, aja localmente”.
A premissa é o de encantamento social e em lugar de determinar (ou impor) ações e condutas locais, estimula-se a criatividade, potencializando desejos. O Programa visa transformar a cultura em política pública efetivamente apropriada por seu povo transformando o Cultura Viva de um programa do Ministério da Cultura, do governo do Brasil, em uma política de Estado, desenvolvendo ações transversais entre ministérios, estados e municípios e a sociedade civil.
Com o Cultura Viva esboça-se a idéia de interligação entre os Pontos, criando redes e teias, pois na troca, a instigação e o questionamento, elementos essenciais para o desenvolvimento da cultura, acontece num contato horizontal entre os Pontos, sem relação de hierarquia ou superioridade entre culturas, uma rede horizontal de iniciativas entrelaçadas.
O Programa Cultura Viva apresenta como valores importantes a de evitar uma estrutura fortemente institucionalizada e hierarquizada, pesada na forma de gestão e controle, muito comum na burocracia pública. Criar mais conexões de trabalho que respeitem a diversidade e a busca de micro-soluções no fortalecimento de redes sociais. Isso só se materializa se os canais de participação são criados e ocupados de forma democrática pela sociedade civil.
O objetivo é fazer uma integração dos Pontos em uma rede global que acontece a partir das necessidades e ações locais. A interação entre o global e o local deve respeitar o crescimento das ações desenvolvidas em cada Ponto de Cultura, de modo que eles ganhem musculatura e estrutura óssea e conquistem sua sustentabilidade e emancipação.
Esse modo de pactuar com a sociedade foram definidos como Gestão Compartilhada e envolve os conceitos de empoderamento, autonomia e protagonismo social. Assim, apostando de que “Um outro mundo é possível” a possibilidade de um Brasil desconhecido, encoberto passa a revelar-se.
Mas sabemos que a conquista da autonomia plena é um processo complexo. Nos últimos vinte anos, políticas públicas pensadas nos marcos do ideário liberal, têm se apropriado do vocabulário usado pelos movimentos sociais de resistência. Combatem o autoritarismo de governo e propõem a autonomia como uma simples transferência de responsabilidades. Autonomia não se dá. Adquire-se no processo, na relação entre os pares (os outros Pontos de Cultura), na interação com a autoridade (sociedade-Estado) e na aquisição do conhecimento, incorporado ao patrimônio cultural.
Ao concebermos autonomia como práticas, como processos de modificação das relações de poder e como exercícios de liberdade, poderemos traduzi-la como trabalho social, político e cultural. Nesse sentido, não é alguma prática futura, nem espontânea, nem mesmo uma técnica social, política ou cultural, mas a própria realização, os atos concretos de participação e afirmação social.
Já o protagonismo dos movimentos sociais aparece à medida em que suas organizações são entendidas como sujeitos de suas práticas, que intervêm nas políticas de desenvolvimento social, nos hábitos da sociedade e na elaboração de políticas públicas. Entretanto, a gestão pública de cultura pensada nos marcos do liberalismo (“cultura é um bom negócio!”) e do iluminismo (“levar luzes à inculta massa”) não retira dos movimentos sociais apenas a sua autonomia, mas rouba-lhes o que talvez lhes seja ainda mais caro: o protagonismo.
Quando as políticas não reconhecem a criação cultural da paneleira de Goiabeira do Espírito Santo ou do mestre dos brinquedos do Vale do Jequitinhonha, excluindo-os de pronto de seus objetivos ou, no máximo, tratando como folclore (“Cultura em conserva”, segundo Roger Bastide), e como expressões “simples” da cultura, o protagonismo das comunidades é abafado.
Esse não reconhecimento tem por matriz um conceito de cultura vinculado ao de civilização. Cultura é aí pensada como o meio pelo qual se mede o “desenvolvimento” e o “progresso”, a modernização da Nação. E “os simples” precisam ser escondidos, colocados “em
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