Sempre fui inquieto quanto ao aprender. Não fui mau-aluno, poucas notas vermelhas, raríssimas recuperações. Mas em algum momento aquilo que chamam escola começou a me incomodar. Especialmente o que nos "ensinavam". Respostas e mais respostas (prontas) sobre perguntas que nunca fiz.
Hoje: artista, educador, ator, brincante (formado em duas faculdades)... muito pouco ficou daquela época (inclusive da faculdade... um pouco mais, claro, que da "escola"). Mas, a autobiografia é só pra introduzir a pergunta: o que a gente aprende com aquilo que nos ensinam na escola formal?
Certamente pouco de seus conteúdos propostos, e muito duma indignação do tipo: puxa quanto tempo, quanta vida perdida!!!
E muitas marcas no corpo (reprimido de se expressar, ah aquelas cadeiras enfileiradas), no hábito (1° a gramática, depois a matémática, e em seguida a química... que não se relacionam, acho que nem nunca se viram nos corredores da escola), ficou esta sistematização mecânica e falsa do conhecimento que, em essência, é orgânico e plural (todos, intuitivamente, sabem isso... ).
Esta "cultura" arcaica da educação começa a se perceber enganadora, hipócrita e suicida. A pior inimiga da educação tradicional é ela mesma, pois insiste em ser enfadonha e transformar o sabor do saber em prato amargo e indigesto.
Sou da esperança, e do trabalho! Vejo e pratico (com meus limites - muitos deles aprendidos na escola) esta libertação de dogmas e formatos. A arte, esta eterna "Princesa Rebelde", que ora acaricia e conforta e ora cutuca e incomoda, é meu terreno de "querer saber" ou "continuar aprender".
Parece não haver dúvidas nos mais céticos e científicos, sobre o poder trasformador e edificador da Arte. Mas a crença ainda é mental, teórica. "É para os filhos dos outros". A pedagoga do projeto onde trabalho (e que tanto me apóia), revelou-me sobre a vontade de seu filho de fazer faculdade de Arte (Teatro ou Artes-Plásticas), quando soube, ela entortou por dentro: "Ô meu filho, pense melhor... isso não dá dinheiro". Ôpa, olha ai o "X" ou o "$" da questão. Não dá dinheiro, logo, não vale à pena. Tenho certeza que ela mesma já lançou mão muitas vezes, e com convicção, daquele verso "Tudo vale à pena se a alma não é pequena!". Ora quantos e quantos advogados, engenheros, médicos, cientistas, políticos, sapateiros, domésticas, enfim, quantos seres humanos... já utilizaram esta frase (e ainda vão usar) em momentos de alguma liberdade de sua expressão verdadeira.
Sem arte não há vida. Imaginemos uma Greve Geral dos artistas, ou um Jejum Coletivo de arte! Ninguém vai ao cinema, ao show, nem ouve música, lê uma poesia ou contempla um quadro... cadê a vida na terra?
Ainda nos pedem (educadores de Arte) para justificar com argumentos consistentes e bem elaborados, o nosso trabalho, seu valor prático e humano. Por muito tempo temi não saber como justificar. Hoje respondo: e precisa? Tire a arte de sua vida e responda você mesmo, que perguntou.
Bruno C. Aquino Almeida (NUNO) no dia 30/10/2007 às 21:11
...aqui é pra propôr reflexões descompromissadas com "verdades". Coisas que nascem da experiência, do caminho pessoal e único (e por isso mesmo experiências "Verdadeiras")
Nuno.
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Bruno C. Aquino Almeida (NUNO) no dia 30/10/2007 às 21:15